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Justiça concede prisão domiciliar a filha de ex-ministro acusada de matar os pais
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O TJ-DF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal) concedeu parcialmente, nesta quinta-feira (2/9), o pedido de habeas corpus a Adriana Villela. A suspeita de matar os pais e a empregada ficará sob regime de prisão domiciliar. Adriana é filha do ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) José Guilherme Villela e da advogada Maria Carvalho Villela. O casal e a empregada Francisca da Silva foram mortos a facadas, em agosto de 2009.
Foi decidido pela 1ª Turma Criminal que Adriana Vilella teria liberdade restrita. Ela deverá apresentar à secretaria do juízo do Tribunal do Júri de Brasília um número de telefone fixo, no qual terá que ser encontrada no horário de expediente. Além disso, Adriana precisará se apresentar à autoridade policial sempre que convocada a prestar esclarecimentos.
As medidas de prisão domiciliar devem durar por mais 12 dias, até que se encerre o período de prisão temporária (30 dias). Depois desse prazo, Adriana Villela restabelecerá seu direito à liberdade. A restrição poderá ser prorrogada, caso surjam fatos novos.
Defesa
A defesa de Adriana alegou que não há qualquer prova contra ela. Segundo o advogado, Adriana foi submetida à tortura psicológica na fase do inquérito e o pedido de sua prisão tem fundamentação muito frágil.
"Os conflitos com os pais por causa de dinheiro apontados como motivadores do crime não coincidem com os depoimentos dos familiares. A idéia de que ela pouco frequentaria a casa dos genitores é totalmente distante da realidade", afirmou o advogado.
O relator do pedido fez algumas considerações em seu voto sobre o caso. Para ele: "Os criminosos conheciam muito bem a casa, pelo menos um deles. Antes de saírem do recinto trocaram de roupa para não deixar vestígios de sangue no corredor e no elevador. Trancaram a porta com duas voltas na chave, em cujo portal havia mancha de sangue compatível com o DNA da vítima José Guilherme Villela. A brutalidade das mortes, assassinadas com mais de 70 facadas, 38 apenas em José Guilherme, deveria ter deixado muito sangue no local, no entanto o que se encontrou foram apenas poucos respingos, demonstrando que o cenário do crime foi alterado".
A polícia apreendeu em outubro de 2009 cartas do ano de 2006, no escritório do casal Villella. Nos escritos, há relatos de desentendimentos de mãe e filha, que são considerados pelo desembargador provas de que Adriana tem temperamento agressivo. Segundo o magistrado, depoimentos na investigação demonstraram que as desavenças permaneceram ao longo do tempo. "Há pois indícios que justificam o aprofundamento das investigações em torno da Adriana, já que o crime mostra indícios de paixão, vingança, ódio e ressentimento".
O desembargador afirma que em um crime como esse, todos são suspeitos, e acrescenta:"No meu entender, convém que Adriana continue com a liberdade restrita para não obstar as investigações, mas não nos moldes da prisão atual".
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